Atualizado em junho de 2026. A resposta direta: para a maioria dos quartos brasileiros, a conta parte de 600 BTUs por metro quadrado e sobe para 800 BTUs por metro quadrado quando o cômodo recebe sol direto. Some 600 BTUs para cada pessoa a mais e 600 BTUs para cada eletrônico que esquenta. Na prática, um quarto de 6 a 9 m² pede 7.000 BTUs, de 10 a 12 m² pede 9.000 BTUs, de 13 a 20 m² pede 12.000 BTUs, de 21 a 30 m² pede 18.000 BTUs e de 31 a 40 m² pede 24.000 BTUs. Abaixo você encontra a fórmula completa, a tabela por tamanho de quarto e os erros que fazem a conta dar errado.
O que é BTU e por que ele importa
BTU é a sigla de British Thermal Unit, uma unidade de energia térmica usada para medir a capacidade de um ar-condicionado de retirar calor do ambiente. Quanto mais BTUs, mais calor o aparelho consegue remover por hora. O número que aparece na caixa (7.000, 9.000, 12.000, 18.000, 24.000 BTUs) representa essa potência de refrigeração.
Acertar a capacidade é o ponto central da compra. Um aparelho subdimensionado fica ligado o tempo todo sem nunca gelar o ambiente, gasta energia à toa e desgasta o compressor. Um aparelho superdimensionado gela rápido, desliga, liga de novo em ciclos curtos e não retira a umidade do ar direito, deixando a sensação abafada. O equilíbrio depende de calcular os BTUs com base no seu cômodo, não no chute.
Como calcular os BTUs

A regra técnica mais usada no mercado brasileiro de climatização parte de uma base por metro quadrado e soma cargas extras de calor. A fórmula é simples e funciona para quartos e salas residenciais com pé-direito padrão de cerca de 2,7 metros:
Base por área:
- 600 BTUs por m² quando o ambiente não recebe sol direto (cômodo à sombra ou com sol apenas no início ou fim do dia).
- 800 BTUs por m² quando o ambiente recebe sol direto durante boa parte do dia.
Cargas adicionais a somar:
- +600 BTUs para cada pessoa além da primeira que ocupa o ambiente com frequência.
- +600 BTUs para cada aparelho eletrônico que gera calor (televisão, computador, videogame, geladeira no caso de cozinhas).
O cálculo final fica assim: (área em m² × 600 ou 800) + (pessoas extras × 600) + (eletrônicos × 600). Depois você arredonda o resultado para a capacidade comercial mais próxima acima, porque os aparelhos só existem em valores fechados.
Exemplo prático passo a passo
Imagine um quarto de casal de 15 m², sem sol direto, ocupado por duas pessoas, com uma televisão. O cálculo é:
- Área: 15 × 600 = 9.000 BTUs
- Pessoa extra: 1 × 600 = 600 BTUs
- Eletrônico (TV): 1 × 600 = 600 BTUs
- Total: 10.200 BTUs
Como 10.200 fica entre 9.000 e 12.000, a escolha correta é o aparelho de 12.000 BTUs, a capacidade comercial logo acima do resultado. Nunca arredonde para baixo, ou o aparelho trabalhará no limite.
Agora o mesmo quarto, mas com sol direto na janela à tarde: a base passa para 15 × 800 = 12.000 BTUs, mais 600 da pessoa extra e 600 da TV, totalizando 13.200 BTUs. Nesse cenário, o ideal já é considerar um 18.000 BTUs, porque o sol muda completamente a conta.
Tabela de BTUs por tamanho do quarto
A tabela abaixo resume as faixas mais comuns. Ela considera ambientes residenciais com pé-direito padrão, uso típico de pessoas e poucos eletrônicos. Use-a como ponto de partida e ajuste com a fórmula se o seu cômodo tiver sol forte ou muita gente.
| Tamanho do quarto | Pessoas (uso típico) | BTUs recomendado |
|---|---|---|
| 6 a 9 m² | 1 a 2 pessoas | 7.000 BTUs |
| 10 a 12 m² | 1 a 2 pessoas | 9.000 BTUs |
| 13 a 20 m² | 2 a 3 pessoas | 12.000 BTUs |
| 21 a 30 m² | 3 a 4 pessoas | 18.000 BTUs |
| 31 a 40 m² | 4 a 5 pessoas | 24.000 BTUs |
Essas faixas pressupõem condições normais. Se o ambiente recebe sol direto a maior parte do dia, suba uma faixa de capacidade. Um quarto de 18 m² ensolarado, por exemplo, sai do 12.000 e entra no 18.000 BTUs.
Fatores que aumentam a necessidade de BTUs
O metro quadrado é só o começo. Vários fatores empurram o cálculo para cima e explicam por que dois quartos do mesmo tamanho podem pedir aparelhos diferentes:
- Sol direto: é o fator de maior impacto. Trocar a base de 600 para 800 BTUs por m² em um quarto de 20 m² já adiciona 4.000 BTUs ao total. Janelas grandes voltadas para o oeste, que pegam o sol da tarde, são as mais críticas.
- Número de pessoas: cada corpo humano libera calor. Em quartos de hóspedes ocasionais o impacto é menor, mas em salas de estar ou home offices com várias pessoas fixas a soma pesa.
- Eletrônicos: televisões, computadores, consoles e fontes de luz incandescente aquecem o ar. Em um home office com PC potente e dois monitores, considere os 600 BTUs por equipamento.
- Pé-direito alto: a fórmula padrão assume cerca de 2,7 metros de altura. Tetos mais altos têm mais volume de ar para resfriar e pedem capacidade extra.
- Telhado ou laje sem isolamento: quartos no último andar, sob telha ou laje exposta ao sol, acumulam muito calor e podem exigir uma faixa a mais.
- Cozinha integrada: se o ambiente tem fogão ou forno por perto, o calor desses aparelhos entra na conta.
Erros comuns ao escolher os BTUs
Mesmo com a fórmula em mãos, alguns deslizes se repetem e comprometem o resultado:
- Olhar só o metro quadrado: ignorar sol, pessoas e eletrônicos é o erro mais frequente. Dois quartos de 15 m² podem precisar de 9.000 ou 18.000 BTUs dependendo dessas variáveis.
- Comprar abaixo para economizar: um aparelho subdimensionado nunca gela direito, fica ligado sem parar e gasta mais energia no fim do mês, além de desgastar o compressor mais rápido.
- Exagerar na capacidade: superdimensionar também é problema. O aparelho gela rápido e desliga em ciclos curtos, não desumidifica bem e deixa o ar com sensação abafada, além de custar mais caro na compra.
- Arredondar para baixo: se a conta deu 10.200 BTUs, o certo é o 12.000, não o 9.000. Arredondar para baixo coloca o aparelho trabalhando no limite o tempo todo.
- Esquecer a vedação do cômodo: frestas em portas e janelas deixam o ar frio escapar e o quente entrar, fazendo qualquer aparelho parecer fraco. Vedar o ambiente vale mais que subir a capacidade.
- Ignorar a etiqueta de eficiência: dois aparelhos de mesma capacidade podem ter consumos bem diferentes. Modelos inverter mantêm a temperatura sem ligar e desligar e costumam gastar menos energia ao longo do uso.
Inverter ou convencional para a capacidade certa
Definida a capacidade em BTUs, ainda há a escolha entre tecnologia inverter e convencional. O cálculo de BTUs é o mesmo nos dois casos, mas o inverter ajusta a rotação do compressor de forma contínua para manter a temperatura, em vez de ligar e desligar. Isso costuma reduzir o consumo de energia e o ruído, principalmente em quartos onde o aparelho fica horas ligado. O convencional tende a ter preço de compra menor e pode compensar em ambientes de uso esporádico. Em ambos, errar a capacidade anula qualquer economia da tecnologia.
Tire suas dúvidas
Quantos BTUs preciso para um quarto de 12 m²?
Para um quarto de 12 m² sem sol direto e uso de até duas pessoas, 9.000 BTUs atendem bem. Se o cômodo recebe sol forte ou abriga mais gente e eletrônicos, considere subir para 12.000 BTUs.
Quantos BTUs para um quarto de 20 m²?
Um quarto de 20 m² sem sol direto fica bem com 12.000 BTUs. Com sol direto durante boa parte do dia, a conta passa de 16.000 BTUs e o ideal é o aparelho de 18.000 BTUs.
Qual ar-condicionado para uma sala grande de 35 m²?
Salas de 31 a 40 m² pedem 24.000 BTUs no uso típico. Se houver cozinha integrada, muitos eletrônicos ou sol direto constante, vale calcular pela fórmula para confirmar se não precisa de mais.
O que acontece se eu comprar BTUs a menos?
O aparelho fica ligado sem parar tentando atingir a temperatura, nunca gela o ambiente como deveria, consome mais energia e força o compressor, o que reduz a vida útil do equipamento.
E se eu comprar BTUs demais?
O aparelho gela rápido e desliga, religando em ciclos curtos. Isso impede a desumidificação correta do ar, deixa a sensação abafada e ainda representa gasto maior na compra sem benefício real.
O sol no quarto muda muito o cálculo?
Muda bastante. A base sobe de 600 para 800 BTUs por m² quando há sol direto. Em um quarto de 20 m², isso adiciona 4.000 BTUs e pode ser o que define entre um 12.000 e um 18.000 BTUs.
Quantos BTUs por pessoa devo somar?
Some 600 BTUs para cada pessoa além da primeira que ocupa o ambiente com frequência. Em quartos com uso de hóspedes ocasionais o peso é menor, mas em salas e escritórios com várias pessoas fixas a soma faz diferença.
O pé-direito alto influencia nos BTUs?
Sim. A fórmula padrão assume cerca de 2,7 metros de altura. Tetos mais altos têm mais volume de ar para resfriar e pedem capacidade extra, então vale subir uma faixa em cômodos com pé-direito duplo.
Ar-condicionado inverter precisa de mais ou menos BTUs?
A quantidade de BTUs é a mesma do convencional, pois depende do ambiente, não da tecnologia. A diferença do inverter está no consumo e no ruído, já que ele ajusta o compressor em vez de ligar e desligar.
Posso usar a tabela sem fazer a conta?
Pode usá-la como ponto de partida para condições normais. Mas se o quarto tem sol direto, muita gente fixa ou vários eletrônicos, faça a fórmula completa para não errar a capacidade.

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